Aula 05

O CASO BRASILEIRO:
1. O SINCRETISMO BRASILEIRO:
– Capacidade do Brasil em absorver o novo sem modificar as estruturas do velho. Andamos na velocidade da Globalização e da Modernidade Líquida, mas mantemos estruturas feudais e coloniais (“Ornitorrinco”);
Ex. abolição da escravidão não foi suficiente para abolir o racismo, nem as relações patrimonialistas que não se estabelecem nos moldes capitalistas.
– Sociedade formalmente igualitária, mas materialmente hierárquica. Ex. DaMatta e o “racismo à brasileira”. 
– Double bind: códigos confusos emitidos. “Te amo” – e dou um tapa. Códigos que transmitem a Modernidade neoliberal e repetem a estrutura rígida brasileira.
– Modernização interrompida pela Ditadura Militar. Quando o país se encaminhava para as reformas de base, elite e exército uniram-se para dar um golpe institucional.

2. RECEPÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE:
– Discurso da “cultura do lixo” aqui é recebido apenas confirmando os guetos que já existiam (“Patuléia”);
– Jamais houve o “Estado Social”, como ocorreu na Europa e EUA, capaz de “resolver” razoavelmente a questão da cidadania;
– A exclusão não é “pós-moderna” no Brasil, é onipresente. Existência de “cordões sanitários” existe há muito tempo;
– Introdução do discurso da exclusão significa uma repristinação da exclusão tradicional da cultura brasileira (EUA/GB: “seduzidos” X “reprimidos”; BRA: “Casa Grande” X “Senzala”).
Ex. Caso da Glória (Cabeça de Porco – pp. 112-113).
Ex. Presidente Washington Luiz (1926-1930) disse que “a questão social é caso de polícia” – antecipação do recuo do Estado Social em direção a um Estado Penal. 
 
3. FENÔMENO DA SUBCIDADANIA:
– “Ralé estrutural” (Jessé de Souza). População que deriva da herança escravista deixada “ao seu próprio azar” depois da abolição, estando fora do topo da pirâmide (proprietários, sem concorrência) e do meio (livre-concorrência, right man in right place, especialmente imigrantes), restando o interstício e as franjas marginais do sistema.
– Resposta “reativa” do liberto. Sempre foi impedida a formação de um núcleo familiar sólido aos escravos (Florestan Fernandes), de modo a não existir modelação da personalidade e contenção de impulsos egoístas.
– “Na realidade, a pauperização, acarretada pela inadaptação social, e a anomia, causada pela organização familiar disfuncional, condicionam-se mutuamente” (Jessé de Souza). Em contraposição ao “otário” que executa serviços humilhantes, valoriza-se a cultura do vagabundo e ladrão, fechando o círculo vicioso com desagregação familiar (ex. álcool).
– Dimensão “objetiva, implícita, subliminar e intransparente”. Fenômeno circunscrito e limitado no centro e de massa na periferia. Auto-desprezo mutilador daqueles que ficam na situação precária. A “naturalização” da desigualdade não aparece porque traduz uma razão opaca e impessoal.

4. AUMENTO DA VIOLÊNCIA:
– Migração do campo para a cidade na década de 60;
– Espaços de ausência de lei – locais abandonados pelo Estado;
– Violência policial e cultura autoritária das polícias e da população;
– Momento de maior taxa de criminalidade (derivada da migração) foi interpretado como “leniência” para “direitos de bandidos” quando Franco Montoro tentou implementar o respeito aos direitos humanos nas polícias;
– Altíssima taxa de homicídios: em alguns lugares em declínio (São Paulo), em outros em ascensão (Porto Alegre);

~ por moysespintoneto em setembro 10, 2008.

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