Aula 12

AVISO: Ainda estou vendo como colocar por aqui a aula 11, segunda parte do Impacto Carcerário. Mais tarde tentarei novamente.

 MÍDIA E CRIMINALIDADE

  1. MÍDIA E SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

– MARSHALL MAC LUHAN – “O MEIO É A MENSAGEM”;

– GUY DEBORD – “A Sociedade do Espetáculo”. Algumas teses:

 

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Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se afastou numa representação.

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O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens.

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O espetáculo não pode ser compreendido como o abuso de um mundo da visão, o produto das técnicas de difusão massiva de imagens. Ele é bem mais uma Weltanschauung tornada efetiva, materialmente traduzida. É uma visão do mundo que se objetivou.

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O espetáculo apresenta-se como uma enorme positividade indiscutível e inacessível. Ele nada mais diz senão que “o que aparece é bom, o que é bom aparece”. A atitude que ele exige por princípio é esta aceitação passiva que, na verdade, ele já obteve pela sua maneira de aparecer sem réplica, pelo seu monopólio da aparência.

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O caráter fundamentalmente tautológico do espetáculo decorre do simples fato de os seus meios serem ao mesmo tempo a sua finalidade. Ele é o sol que não tem poente, no império da passividade moderna. Recobre toda a superfície do mundo e banha-se indefinidamente na sua própria glória.”

2. MÍDIA E MASSA (JEAN BAUDRILLARD)

– A massa é algo “neutro”, absorve tudo, como um “buraco negro”;

– “Abismo do sentido” – não há comunicação racional – não interessa o conteúdo, importam apenas os signos – dedução de todos os signos ao espetacular – o sentido é o que menos importa para o comportamento da massa;

– Maioria “silenciosa” – a indiferença neutralizadora é justamente o que lhe dá poder (“brutalidade positiva” ou “magia branca”);

– Massas não são alienadas porque não há mais nada a ser mostrado – o poder ignora que não manipula ninguém, simplesmente atende ao poder da massa – a massa não explode, é o lugar da negatividade e da implosão;

– A informação só produz mais massa – capacidade de absorção infinita da massa – massa só processo o meio (“cool”);

– Não há manipulação (isso é ideologia dos próprios mass media). Massas são tão fortes quanto a mídia – absorve tudo. Massa e mídia são processo único. “Massa(ge) é mensagem”.

– Terrorismo: resposta hiper-real e puramente negativa (como a massa), que provoca o mesmo silencio típico da massa (negação de qualquer representação);

– Hiper-realidade: espaço da simulação (confusão real/modelo). O real se transforma em modelo. “O hiper-real é a abolição do real não por destruição violenta, mas pela afirmação, elevação à potência do modelo” (Baudrillard, 68) (ex. pornografia, entrevista, tevê-verdade);

3. PAPEL DA IMAGEM (MAFFESOLI) – CIMENTO SOCIAL

– Potência como “comunidade subterrânea” que se opõe ao poder do Estado;

– Visão estética da vida social – relações políticas são substituídas por uma “proxemia sentimental” – questão da performance está diretamente ligada ao espetáculo – compartilhamento de emoções coletivas;

– Ajustamento proxêmico pode gerar também racismos e fundamentalismos, além de revolta das periferias;

– Televisão permite uma “vibração em uníssono” em relação a grandes eventos (ex. terremoto, tsunami) – imagem é dionisíaca, orgíaca, vinculada a um sensualismo, e não à persuasão – favorece a cópula, a união;

– Imagem é um “mesocosmo” – está entre o micro e o macro, geral e particular – é “religante” (re-ligio) – partilha da imagem. Reforço os vínculos de empatia e o sentimento de “nós”. “Sentir-com”;

– “Celebridades”: brincadeira de Juremir Machado da Silva entre a “morte do autor” e a “morte da obra”.

4. O MEDO E O LIXO SOCIAL

– Vínculos são forjados a partir de uma cultura do medo. “Nós” contra os “Outros” (fabricação dos folk devils);

– Outro potencialmente ameaçador (do vizinho pedófilo ao muçulmano terrorista);

– Solidão narcísica/espetacular provoca formação de laços histéricos em torno de bodes expiatórios;

– Insegurança ontológica facilita a existência de projeções;

– “Lixo” jamais fala por si mesmo. “Vagabundos” pós-modernos – sempre representados em contraponto à “sociedade”, a “nós” – os decentes e trabalhadores – como alguém de “fora” que ameaça (ex. presidiários);

– O discurso autoritário é “cool”: a ética é uncool, as coisas se impõem mediante slogans publicitários que funcionam com maior força (exemplo: Tolerância Zero) – discurso volkisch (fascismo social);

– Imagem do Outro é sempre dissolvida em representação. Incapacidade de sentir o real uma vez entorpecido pelo espetáculo (ex. interrogatório por videoconferência). O próprio eu se hiper-realiza e se transforma em “performance”;

– Apropriação dos meios profanatórios pelo espetáculo e colocação do seu giro no vazio (contraponto: silêncio absoluto da arte).  

~ por moysespintoneto em novembro 3, 2008.

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